Por primera vez en el Servicio Nacional de Salud: operación a corazón abierto en Maputo

Prensa. Fuente: Jornal Notícias Mozambique

Mayo 2008

Enlace:  Pela primeira vez no Serviço Nacional de Saúde: Operação a coração aberto realizada ontem em Maputo

 

O serviço Nacional de Saúde está já a efectuar operações a coração aberto, o que irá permitir o tratamento de diversas patologias cardíacas responsáveis pelo recurso ao exterior de muitos doentes moçambicanos. A primeira intervenção cirúrgica do género no serviço público ocorreu na manhã de ontem no HCM, envolvendo uma equipa moçambicana composta por diversos especialistas e dirigida pelo cirurgião Atílio Morais. O primeiro moçambicano a beneficiar da intervenção foi Carlos Maposse, de 12 anos de idade, proveniente da província de Maputo. Ele padecia de uma malformação congénita que, segundo os médicos, só lhe permitiria continuar a viver por mais sete a oito anos.

A intervenção decorreu sem sobressaltos, durante pouco mais de três horas, estando o menor sob observação e os médicos estão optimistas quanto ao sucesso da operação.

A equipa integrou ainda, entre outros, os especialistas Farida Ursi (anestesista), Aissa Gani (reanimação), Leopoldino Bettencourt (perfusionista) e Domingos Diogo (cardiologista). Vários enfermeiros, alguns dos quais estiveram recentemente em estágio na cidade espanhola de Valência, também fizeram parte do grupo. Estes médicos e enfermeiros contaram com o suporte de uma equipa de acompanhamento espanhola especialista neste tipo de intervenções, liderada pelo professor Martinez León, responsável no seu país por mais de 600 operações deste género por ano.

O director do HCM, Francisco Cândido, destacou a importância da disponibilidade de mais uma especialização na área da Saúde em Moçambique. Para o efeito, alguns médicos e enfermeiros beneficiaram de formação e/ou estágios em Espanha, ao mesmo tempo que outros aspectos técnicos e materiais iam sendo tratados internamente. “Passamos a ter capacidade de solução interna para problemas que os cardiologistas vêm identificando há muito tempo mas que precisavam de uma solução externa, ou seja, estas intervenções só podiam ser feitas fora do Sistema Nacional de Saúde e principalmente no estrangeiro”, sublinhou.

A intervenção a que foi sujeito o pequeno Carlos Maposse faz parte das operações delicadas, pelo que diversos aspectos devem ser minuciosamente ponderados antes de se decidir pela sua efectivação. Por exemplo, o coração e o pulmão do menino tiveram que ser tecnicamente parados por um período de cerca de 40 minutos, sobrevivendo o paciente por via de um aparelho de circulação sanguínea extra-corpória, imprescindível para estes casos. Isso exige dos especialistas que integram as equipas de cirurgia uma grande precisão e calculismo.

O cirurgião Albertino Damasceno, um dos vários profissionais de Saúde e não só que testemunharam a operação, destacou, para além do significado técnico desta operação, o seu lado social, já que muitos são os compatriotas que se vêem na contingência de recorrer ao exterior para solucionar problemas semelhantes ao de Carlos Maposse e outros ainda, dada a falta de recursos, têm a vida em risco. “Normalmente uma operação destas custa entre 15 a 20 mil dólares (cerca de 450 mil meticais), o que claramente não está ao alcance da maioria dos nossos compatriotas. Com esta especialidade no nosso Serviço Nacional de Saúde abre-se uma janela de esperança”, comentou.

Hoje, um segundo paciente, desta feita uma mulher de meia idade proveniente de Inhambane, deverá ser submetido à mesma operação.

O Instituto do Coração (ICOR) foi, há poucos anos, a primeira instituição moçambicana a efectuar uma operação a coração aberto.